Jun 30, 2009
Maria do Carmo Sequeira refere que Câmara de Ródão vive financeiramente saudável

Maria do Carmo Sequeira, presidente da Câmara Municipal de Ródão
Povo da Beira (PB) - Queria que a presidente me fizesse um balanço deste segundo mandato à frente dos destinos da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão.
Maria do Carmo Sequeira (MCS) - Este é o meu segundo mandato à frente dos destinos do concelho que está a chegar ao final. É claro que ao fazer o meu programa para o primeiro mandato, estrategicamente defini o segundo e tenho também em mente aquilo que irei fazer num terceiro mandato. Tendo em conta que Vila Velha de Ródão é um concelho vocacionado para o turismo, nomeadamente, para o turismo natureza, tínhamos que salvaguardar tudo aquilo que tinha a ver com a natureza e com o património porque o que pretendia, era fazer a divulgação turística, trazer pessoas a Vila Velha de Ródão e a partir daí dar qualidade de vida para que também se fixassem e atrás disso, viesse também o emprego.
Deste modo o que fizemos no primeiro mandato foi mais ao nível de infra-estruturas em todo o concelho.
PB - Quando pegou na autarquia havia muita falta de infra-estruturas a nível do concelho?
MCS - Sim. Não havia água potável em mais de 50 por cento do concelho de Vila Velha de Ródão. As populações eram servidas por furos em que a água não tinha qualidade. Portanto, tratei em primeiro lugar, de resolver a questão do abastecimento público de água em todo o concelho.
Depois resolvi a questão da rede viária que se encontrava em muito más condições em todo o concelho e tivemos que consolidar essa mesma rede viária a nível concelhio. Posteriormente, tivemos que resolver o problema das infra-estruturas que tinham a ver com aquilo que eu no futuro pretendia ter, ou seja, a divulgação turística do concelho. Não podia fazer uma divulgação turística daquilo que tínhamos aqui sem ter um auditório, uma casa onde pudesse receber as pessoas na medida em que não podia ter uma agenda cultural, com muito respeito que tenho pelos clubes, nas suas sedes porque não tinham as condições para isso.
Tínhamos que ter um auditório, ele aí está na Casa de Artes e Cultura do Tejo, mas também uma biblioteca, pois a antiga não podia continuar a manter-se num edifício que nem sequer tinha acesso para deficientes. A antiga biblioteca encontrava-se instalada no Centro Municipal de Cultura.
Isto eram as infra-estruturas que considerávamos imprescindíveis para Vila Velha de Ródão. Também eram infra-estruturas importantes para as crianças até porque não queremos que os pais se fixem aqui sem ter condições para os seus filhos. Portanto, tínhamos que ter escolas modernas e infra-estruturas que foi aquilo que fizemos. Lançámos também as bases para tudo o que tem a ver com a educação.
Mas, nem tudo pode ser feito no primeiro mandato e houve uma continuidade neste segundo mandato em que fizemos a candidatura para o centro educativo no sentido de o modernizar, fizemos a biblioteca, lançamos vários loteamentos, nomeadamente, o lotamento da Fonte da Escola, criando também habitação. Isto porque tivemos que criar condições de modo a permitir a fixação das pessoas.
PB - Esses loteamentos foram feitos a custos controlados?
MCS - Sim, foram feitos a custos controlados. A autarquia deu o exemplo, construindo algumas habitações. Neste momento já foram entregues os restantes lotes a um construtor que vai continuar com a construção.
PB - Quanto lotes são na totalidade?
MCS - São 26 lotes no total. Estão oito vendidos e os restantes foram entregues em hasta pública. Depois foram também consolidadas todas as infra-estruturas que dizem respeito à margem do Tejo. O Cais foi feito no primeiro mandato e agora lançámos o concurso para a continuação de toda a requalificação da margem direita do Tejo. Avançámos com a requalificação do Porto do Tejo neste segundo mandato, uma vez que no primeiro a nossa principal preocupação centrou-se na parte antiga e na zona histórica de Vila Velha de Ródão.
Ainda neste segundo mandato que estamos a terminar, consolidámos tudo aquilo que tinha a ver com a educação, cultura e lançámos as candidaturas, que já estão aprovadas, para a continuação da requalificação de Vila Velha de Ródão. Neste momento, na nossa contratualização, foi aprovado o projecto para toda a requalificação da zona do Porto do Tejo, cujos terrenos já foram adquiridos por nós neste segundo mandato e que era algo que se arrastava desde o 25 de Abril de 1974.
Posteriormente, lançámos também os concursos que incluem o parque de campismo, parque de campismo rural, parque de auto-caravanismo, centro náutico, passeio pedonal e a ponte que liga as zonas da Senhora da Alagada e do Cais. São obras cujos concursos vão ser lançados. Estamos a fazer a revisão dos projectos para lançarmos as obras.
Mas, simultaneamente, fizemos também as obras necessárias em todas as freguesias do concelho, desde o abastecimento de água à rede viária.
PB - Portanto, recapitulando. Actualmente o concelho de Vila Velha de Ródão, em termos de saneamento e de abastecimento de água está totalmente coberto?
MCS - Em termos de água potável existe apenas uma povoação do concelho, o Salgueiral, que ainda não tem água canalizada.
Convém não esquecer que o concelho de Vila Velha de Ródao tem 330 quilómetros quadrados e tem 42 povoações. Actualmente, existe apenas uma que não possui abastecimento de água canalizada. Mas estamos a tratar do problema. Brevemente ficará resolvido até porque já tenho o projecto feito. Não sei se haverá no país um concelho com este número de localidades que tenha uma cobertura a 100 por cento.
PB - Vai recandidatar-se a um terceiro mandato, como já tornou público. Deixa alguma coisa deste segundo mandato que queira concluir? Tem alguma obra de relevo que gostaria de ver concretizada?
MCS - Claro que sim. Em primeiro lugar porque nunca está tudo feito. Vamos lançar agora o concurso da requalificação do Cabeço das Pesqueiras, do Lagar de Varas e de toda a zona envolvente. Conseguimos recentemente com a Câmara Municipal de Nisa, que as Portas de Ródão fossem classificadas como património natural nacional.
PB - Qual a importância que tem esta classificação das Portas de Ródão para o concelho de Vila Velha de Ródão e para Nisa?
MCS - É um dos poucos monumentos naturais nacionais que temos no país. Basta isso para justificar a sua importância. È um geo-monumento que teve muita influência também na classificação do Geoparque. Portanto, o facto de ser um monumento natural nacional traz aqui semanalmente centenas e centenas de visitantes. Esta estratégia está a dar frutos presentemente. Não viria aqui ninguém a Vila Velha de Ródão comprar os queijos, enchidos ou outro qualquer produto de qualidade na área da gastronomia se não fosse pela via do turismo. As pessoas vêm e depois levam os produtos.
PB - A Câmara vai continuar a apostar no sector do turismo?
MCS - Vai-se continuar a consolidar a aposta que tenho vindo a fazer no sector do turismo. Mas, tudo isto tem outro objectivo, fixar as pessoas e tornar o concelho atractivo. Convém também referir que ainda nenhuma empresa faliu em Vila Velha de Ródão. Temos muitas empresas familiares mas temos também médias empresas. Temos inclusivamente empresas que se estão a fixar neste momento, como é o caso da AMS que vai criar mais de uma centena de postos de trabalho até ao final do ano, a renovação da Centroliva, a Celtejo que veio fazer um investimento de quase 100 milhões de euros. Isto significa que o concelho se transformou e onde as pessoas começam ter gosto em viver. Há procura de casas por todo o concelho, estão a ser requalificadas casas antigas e estão a ser construídas novas casas, o que é muito importante.
PB - Mas, no caso de conseguir o objectivo do terceiro mandato. Quais são os seus principais objectivos para o concelho?
MCS - Os meus objectivos passam pela continuação da requalificação e conclusão das obras cujos concursos vão ser lançados agora. Pretendo fazer também o Cearte- centro de interpretação de arte rupestre que irá ficar instalado no Centro Municipal de Arte e Cultura, na zona histórica de Ródão. Vamos avançar com a requalificação da Quinta da Torre Velha que era a habitação de Stau Monteiro e que foi um projecto do Siza Vieira. Trata-se de um projecto, um centro de artes, que irá criar também vários postos de trabalho. As pessoas vão ali aprender a trabalhar as áreas da olaria, cerâmica, trapologia e tecelagem e vão ficar a trabalhar para vendar posteriormente as peças ao público em geral.
Estas são as obras mais emblemáticas. Contudo, vamos também continuar com a construção de loteamentos. No próximo mandato, o meu principal objectivo passa por dar uma atenção especial às sedes de freguesia, torná-las mais atractivas e fazer com que sejam locais onde as pessoas se sintam bem.
Mas, tudo isto a par da parte social. Continuamos a dar apoio às associações, às instituições que apoiam os idosos, a todas elas para as obras, contribuímos com 20 por cento. Para além disso, fazemos protocolos nas áreas da música e da educação. Proporcionamos refeições a todas as crianças do concelho, bem como todas as crianças, desde a pré-primária, têm acesso às actividades de enriquecimento curricular e prolongamento dos horários até às 17h30 em todo o concelho.
Para os idosos, além de todos os apoios, montei uma rede de transportes com os autocarros da autarquia em que um dia por semana vamos busca-los a todas as povoações do concelho. As pessoas que querem podem vir à sede de concelho sem custos.
PB - Em termos financeiros, qual é o estado da saúde da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão?
MCS - Em termos financeiros, temos 40 por cento de endividamento, o que significa que ainda temos acesso a mais 60 por cento. Portanto, devemos ser das poucas câmaras do país que tem tão pouco endividamento em relação ao contexto nacional.
Mas mais. Neste momento, temos dinheiro a receber das obras que foram financiadas através das candidaturas que foram feitas ( valores ).
A saúde financeira da câmara está à vista e é uma mais valia que a autarquia possui. Estamos a pagar também a pouco mais de 30 dias. Estamos a cumprir todas as nossas obrigações a tempo e horas.
PB - Recentemente o PSD reactivou a sua concelhia que tinha deixado de existir. Quer isto dizer, que a partir de agora vai ter uma concorrência que não tinha tido até ao momento. Isto preocupa-a?
MCS - Preocupa-me sempre. Bem nas últimas eleições tinham um candidato que tinha experiência autárquica, empresarial de associativismo, que era o engenheiro Carmona. Pelo facto de ter perdido as eleições não significa que a sua candidatura não tenha tido mérito. Neste momento, aparece alguém, que pelo contrário, não tem nenhuma experiência em nada que eu saiba, nem numa simples associação. Aquilo que estou a fazer é a comparar as duas situações. Nas últimas eleições tinha alguém com experiência que foi candidato comigo e que esteve à frente da Câmara de Vila Velha de Ródão. Não quero é tirar o mérito à candidatura do engenheiro Carmona. Não se tire o mérito a quem o merece. É preciso também dizer que assumiu o seu mandato e continua como vereador o que também é importante. Quem tem responsabilidade nestas coisas é quem vive cá. Não vem ninguém de fora a salvar a pátria.
PB - Recentemente houve uma polémica por causa de alguns cartazes de propaganda política à data das eleições europeias. Gostaria que e pronunciasse sobre este assunto no sentido de explicar aquilo que se passou.
MCS - Eu quero apenas dizer que quando não há mais nenhum argumento tem que se criar algum. Certamente que o PSD não pode falar da obra realizada porque se fez em oito anos, 20 vezes mais do que fez o PSD nos oito anos anteriores. Não quero envolver-me nisto. Quero apenas dizer que os cartazes estavam a menos de 50 metros dos locais de voto, um deles a menos de 20 metros. Estava do outro lado da estrada. Eu tenho que cumprir a lei e as orientações da Comissão Nacional de Eleições (CNE). Enviei uma carta registada com aviso de recepção para a Concelhia do PSD para retirar os cartazes. Não os retiraram e eu tive que cumprir aquilo que foram as orientações da CNE. Não quero manifestar-me mais sobre este assunto. Tenho mais que fazer do que andar a alimentar um argumento que nem é argumento. Se as pessoas não estiverem satisfeitas recorrem aos Tribunais.

