Transplantado renal acusa HAL de não fazer consulta por falta de dinheiro para medicamentos

Hospital Amato Lusitano de Castelo Branco

Hospital Amato Lusitano de Castelo Branco

Luís Paixão, um doente transplantado renal, alega que recebeu no passado dia 28 de Junho, pelas 16h30, uma chamada telefónica do secretariado do Serviço de Nefrologia do Hospital Amato Lusitano de Castelo Branco (HAL), a informá-lo que tinha que voltar para os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), uma vez que a consulta pós-transplante renal “não se poderia fazer em Castelo Branco, por não haver cabimento para despesas dos medicamentos”.

O paciente que enviou uma missiva à administração da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco (ULS) a relatar o sucedido, foi alvo de um transplante renal nos HUC e segundo relata na carta que escreveu, foi seguido em consultas na unidade hospitalar de Coimbra até atingir 12 meses após o transplante renal.

Após um ano de seguimento nos HUC, Luís Paixão relata na missiva a que o “Beiranews” teve acesso, “sou informado que posso continuar a ser seguido/acompanhado pelo Hospital de Castelo Branco, que já dispõe duma Consulta Pós-Transplante Renal e bem referenciada pela equipa clínica dos HUC”.

Perante esta situação, o paciente diz que “para evitar mais despesas de deslocação e de transtorno de viagens, trago todas as indicações para ser seguido em Castelo Branco, tendo-me apresentado no Serviço de Nefrologia onde fiz a respectiva marcação, para o próximo dia 7 de Julho de 2011, com colheitas de sangue e urina às 9H00 e consulta médica às 14H00″.

Luís Paixão argumenta ainda que “cheguei mesmo a falar com o médico Rui Filipe que me explicou o funcionamento e preparação desta consulta de pós-transplante renal”.

Porém, o transplantado renal ficou estupefacto quando “no dia 28 de Junho de 2001, pelas 16H30, recebo uma chamada telefónica do Secretariado da Nefrologia a explicar-me que tinha de voltar a Coimbra, pois a Consulta não se poderia fazer em Castelo Branco, por não haver cabimento para despesas dos medicamentos”.

Perplexo com a informação, Luís Paixão diz na missiva que “exigi mais pormenores e quem mos podia fornecer…Afinal é uma Consulta que não pode funcionar, mas aparece como oferta”.

“Estou perplexo”

Segundo relata na carta, a enfermeira que tem a seu cargo a preparação destas consultas, esclareceu que também ela recebeu ordens e que não há consulta porque não há medicamentos para dar aos doentes após a consulta, sobretudo, imunossupressores”.

Luís Paixão refere que “como é sabido, muitos medicamentos são específicos dos transplantados e só existem nas farmácias hospitalares como, por exemplo, os imunossupressores (ciclosporina ou o tracrolimus) ou o valganciclovir (antibiótico), medicamentos tais que sem eles corremos alto risco de rejeição do enxerto”.

“Sendo assim, estou perplexo. Um hospital que aceita abrir uma Consulta Pós-Transplantação renal e que não tem os respetivos medicamentos para dar aos doentes é de pasmar”, refere o paciente na carta.

O transplantado renal termina a missiva solicitando que “sejam apuradas responsabilidades e de quem é tal decisão, mesmo sabendo que o Conselho de Administração está demissionário”. Mais, acrescenta que “no Conselho de Administração da ULS de Castelo Branco não foi possível falar com algum dos seus cinco membros, o que considero insólito” e sublinha que “do secretariado adstrito falei com uma estagiária que não podia identificar-se, pelo que não sei com quem falei neste serviço público”.

Por último, Luís Paixão diz ainda que vai telefonar para Coimbra para ver da possibilidade de o re-aceitarem, “esperando que tudo não passe de um equívoco”.

Beiranews apurou ainda que o autor da missiva já foi recebido, no passado dia 30 de Junho, pela administração da ULS de Castelo Branco, nomeadamente, pela directora clínica e pelo próprio presidente do Conselho de Administração e segundo o próprio Luís Paixão, foi-lhe comunicado que a situação “não tem nada a ver com dinheiro. Nunca esteve em causa a verba”, refere o transplantado renal que garante ainda que o presidente do CA da ULS de Castelo Branco lhe disse que “se quiser ficar, fica cá”.

Entretanto, Luís Paixão já está a ser novamente acompanhado em Coimbra, onde no passado dia 1 de Julho se deslocou para uma consulta.

“Nunca houve consulta marcada”

Entretanto, o director do Serviço de Nefrologia do Hospital Amato Lusitano confrontado com esta situação disse que “nunca houve nenhuma consulta marcada. Apenas foi sujeito a aprovação por parte do Serviço de Nefrologia de Castelo Branco se haveria a possibilidade de seguir este doente”.

Em declarações proferidas à Rádio Beira Interior (RBI), Ernesto Rocha acrescenta que “este doente não obedece, para já, às regras protocolares que foram celebradas entre um hospital e o outro”, ou seja, entre o Hospital Amato Lusitano e a Unidade de Transplantação renal do HUC.

Por outro lado, o director do Serviço de Nefrologia do hospital albicastrense refere ainda que “foi transmitido ao doente que provavelmente teria de esperar mais algum tempo para depois poder ser continuado em Castelo Branco” e acrescenta que “este doente não entrou em contacto com mais ninguém. Não falou comigo que sou o director do Serviço de Nefrologia, não falou com o responsável da Consulta Pós-Transplante, Dr. Rui Filipe. A única coisa que soube foi ter algumas afirmações perante as nossas secretárias administrativas e seguiu esta via”, sublinha Ernesto Rocha que volta a reforçar a ideia de que “nunca houve consulta marcada nem o doente obedece ao protocolo para poder, para já, ser seguido num hospital periférico como o nosso. Esta é a realidade”, concluiu.

É que, segundo explicou aquele clínico, os hospitais periféricos, como é o caso do Hospital de  Castelo Branco, “não têm por norma consultas pós-transplante. O que é certo é que como tem sido a minha filosofia desde há 20 anos, devem ser criadas todas as condições para o bom tratamento dos doentes. E nesse sentido, a pedido e com a concordância de um hospital periféricoe a Unidade de Transplantação Renal do HUC, foi feito um protocolo para receber determinado tipo de doentes em Castelo Branco”. No entanto, Ernesto Rocha sublinha que “esse protocolo obedece a determinadas situações específicas que têm muito a ver com a capacidade que temos de poder ou não tratar esses doentes. O que se passa é que habitualmente vêm indicações por parte do HUC a dizer que provavelmente este doente terá condições para poder ser vigiado e controlado em Castelo Branco”.

Ora, segundo o director do Serviço de Nefrologia, a situação do doente em causa “que é um doente meu conhecido há 20 anos tem demonstrado problemas, nomeadamente, agora depois de ser transplantado (…)”.

ULS não recebe dinheiro para estes casos

Ernesto Rocha diz mesmo que a “situação clínica do doente, infelizmente para ele e para nós, não permite que nos sintamos seguros num hospital periférico para podermos orientar um doente destes”.

Por outro lado, o clínico diz ainda que a ULS de Castelo Branco, neste momento todo o dinheiro que está a disponibilizar para o tratamento destes doentes (e já são 23), não está contemplado no Orçamento Geral do Estado. Porque este tipo de doentes para já, com a actual política que é exercida, só podem ser vigiados e seguidos em hospitais centrais. Os hospitais periféricos e nomeadamente o de Castelo Branco, não recebe nenhum dinheiro para seguir estes doentes”, refere Ernesto Rocha.

Politécnico de Castelo Branco organiza Congresso INternacional de Análises Clínicas e Saúde Pública

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O Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias (ESALD) organiza, nos dias 10, 11, 12 e 13 de Fevereiro, o “I Congresso Internacional de Análises Clínicas e de Saúde Pública”.

A iniciativa tem como objectivo uma abordagem mais diversificada de alguns temas nas áreas da Microbiologia, Hematologia, Endocrinologia, Saúde Pública e Investigação em Análises Clínicas, de modo a permitir alargar conhecimentos explorados com menos frequência no âmbito das Análises Clínicas e Saúde Pública.

Segundo a comissão organizadora, durante o congresso serão, também, realizados cursos teórico-práticos de modo a que os participantes tenham a oportunidade de efectuar práticas laboratoriais pouco comuns na rotina laboratorial - Citometria de Fluxo; Interpretação de Citogramas, Histogramas e Casos Clínicos (Grupo A e B); Fase Pré-Analítica.

Em análise no I Congresso Internacional de Análises Clínicas e de Saúde Pública vão estar temas como a Endocrinologia Laboratorial; Diabetes e Obesidade; Pesquisa de Informação Científica em Saúde Pública; Principais Microrganismos referenciados na Segurança dos Alimentos; Gestão Hospitalar e Saúde Pública; Hematologia de Urgência; Défice de Factor VIII; Leucemia Mielóide Aguda; Vírus Importados - Situação actual e riscos para o futuro; Perspectivas actuais em estafilococos multirresistentes; Infecção Congénita por CMV; Vírus Respiratórios.

No último dia do evento, serão ainda apresentadas comunicações livres.

A comissão organizadora entregará prémios para o melhor poster e comunicação livre.

Para mais informações, os interessados podem consultar a página www.congressoacsp.pt.vu

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