Ago 31, 2011 0
“Portagens na A23 vão limitar quem quer investir na região”

Joaquim Morão, presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco
A Câmara Municipal de Castelo Branco está a fazer um enorme esforço ao nível do desenvolvimento do sector do turismo.
Para isso, não se tem poupado a esforços no sentido de colocar o concelho de Castelo Branco no mapa turístico nacional e internacional.
Contudo, para que a estratégia delineada pelo executivo atinja os objectivos traçados, o presidente da autarquia albicastrense diz que é necessário ter algo que segure as pessoas que visitam a cidade e o concelho e, ao mesmo tempo, apresentar-lhes coisas novas.
Neste sentido, Joaquim Morão refere que a câmara tem recuperado diversos monumentos importantes como a Sé Catedral de Castelo Branco, o castelo, o miradouro, o parque da cidade e o jardim do paço e sublinha que ainda foram introduzidas novidades, como sejam o Museu Cargaleiro, o Museu do Canteiro em Alcains ou o Núcleo Etnológico de Lousa.
Ao mesmo tempo, o autarca diz que tem apoiado todas as paróquias do concelho de Castelo branco a recuperar o seu património, de modo a que a arte sacra seja também um motivo de atracção para todos aqueles que visitam Castelo Branco.
A cumprir o quarto e último mandato à frente dos destinos da Câmara Municipal, Joaquim Morão destaca três acontecimentos como os mais importantes para Castelo Branco no primeiro semestre de 2011: O 10 de Junho, os Censos 2011 e o estudo dos Técnicos Oficiais de Contas (TOC) que coloca a câmara municipal como das mais eficientes a nível financeiro.
“Estes são três acontecimentos importantes que aconteceram em Castelo Branco no primeiro semestre do ano que consideramos fundamentais e que revelam que a estratégia que temos seguido para projectar Castelo Branco é a mais correcta. Castelo Branco é uma cidade que continua a criar emprego e a fixar pessoas”, recorda o autarca.
Joaquim Morão faz questão de dizer que as comemorações do 10 de Junho foram talvez o acontecimento mais importante que se registou em Castelo Branco nas últimas décadas, na medida em que “projectou Castelo Branco para o país e o mundo, dando uma imagem de eficácia de uma cidade que se soube organizar, soube organizar um grande acontecimento, soube receber a classe política, intelectual e diplomática e que mereceu o aplauso de todos. É o maior acontecimento que se fez em Castelo Branco”, refere. Além disso, destaca ainda a intervenção do Presidente da República, considerando mesmo que Aníbal cavaco Silva “prestou um relevante serviço a Castelo Branco para nos projectarmos no futuro”.
Aposta na zona histórica
No que diz respeito ao trabalho que a câmara municipal tem vindo a desenvolver recentemente, o autarca destaca a política de requalificação urbana que considera “ímpar” e onde o executivo tem injectado muitos recursos financeiros.
“Não fazemos habitações novas mas temos apostado na recuperação de muitas casas situadas na zona histórica da cidade que se encontravam devolutas. Neste momento, temos cerca de 50 habitações a serem recuperadas”, diz o presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, acrescentando que se trata de “uma política de recuperação urbana indispensável para a requalificação da cidade. Só a câmara municipal tem condições para fazer este investimento e evitar que a zona histórica continue vazia e degradada”, diz Joaquim Morão, sublinhando ainda que a par desta requalificação da zona histórica de Castelo branco, a autarquia tem feito também um enorme investimento na recuperação do espaço público da cidade.
Por outro lado, o autarca destaca ainda um empreendimento que está em curso, o Centro de Protecção Civil.
“Trata-se de um importante empreendimento que dará segurança aos albicastrenses e a toda a região, não só ao nível dos incêndios mas também no que diz respeito à protecção de pessoas e bens”.
Este projecto que irá custar cerca de7,5 milhões de euros aos cofres da câmara municipal, inclui um aeródromo e uma base de apoio logística.
“Ao mesmo tempo fizemos importantes investimentos no Quartel dos Bombeiros Voluntários de Castelo Branco que lhes permite que hoje tenham excelentes instalações e ao mesmo tempo temos em curso a aquisição das viaturas necessárias para ter em Castelo Branco um Centro de Protecção Civil de excelência que estará concluído no próximo ano. No total o investimento ronda os 10 milhões de euros”, diz o autarca.
A par destes projectos, Joaquim Morão recorda o conjunto de investimentos em áreas verdes que têm sido feitos por toda a cidade. “Temos construído novas zonas verdes e temos plantado milhares de árvores por toda a cidade”, refere o autarca, destacando o espaço que está a ser feito na Quinta das Violetas e outro já concluído em Entre-os-Caminhos.
A Câmara de Castelo Branco tem também em andamento o projecto para a construção de um parque de campismo de média dimensão junto à Barragem de Santa Águeda, onde a autarquia possui 50 hectares de terreno, sendo que o plano de ordenamento se encontra aprovado.
Joaquim Morão garante que o projecto para o parque de campismo vai ficar concluído até ao final do ano.
Por outro lado, destaca o investimento feito na entrada sul de Castelo Branco, onde foram gastos cerca de um milhão de euros. Esta é para o autarca uma obra importante de requalificação e de ordenamento para a cidade, a par das muitas que a câmara municipal tem executado.
Estratégia tem sido a correcta
Em relação aos Censos de 2011, Joaquim Morão diz que vieram demonstrar que “temos seguido uma estratégia correcta ao nível do emprego e da fixação de pessoas em Castelo Branco. Criámos cerca de dois mil empregos o que proporcionou este bom resultado obtido nos Censos. Temos que nos afirmar como uma cidade de média dimensão de âmbito regional, com capacidade para crescer e segurar as pessoas”, sublinha.
O autarca realça ainda a Barragem do Alvito como um grande empreendimento para Castelo Branco e diz que os prazos da obra estão a ser cumpridos.
“Castelo Branco vai ter um lago com 400 milhões de metros cúbicos de água a 10 quilómetros de distância. Portanto, este vai ser um grande pólo de desenvolvimento futuro para a cidade”, afirma o autarca.
Já no que diz respeito à eficiência financeira demonstrada pela câmara municipal, o autarca diz que esta foi atingida porque “objectivamente a câmara tratou bem da receita mas tratou ainda melhor a despesa. Captou a receita que tinha que captar legalmente e fez despesa de modo eficiente e nunca ultrapassando o que era possível. Castelo branco teve também uma boa prestação nos fundos comunitários, obtendo aí receitas importantes”, realça Joaquim Morão sublinhando ainda que a câmara que lidera “tem sido das poucas do País a diminuir o número de funcionários. Hoje não temos assessorias à volta da câmara e temos administrado eficazmente os recursos à nossa disposição sempre com o intuito de os colocar à disposição dos albicastrenses”, refere.
Em relação á burocracia de que a esmagadora maioria dos autarcas se queixa, Joaquim Morão diz que as pessoas têm que saber conviver com ela. Por isso mesmo, “temos que estar apetrechados com pessoas que sejam capazes de ultrapassar esses problemas e de fazer o seu trabalho bem feito. É o que a câmara municipal tem feito”, sublinha.
Emprego é a primeira prioridade
Para breve está a chegada a Castelo Branco da Nova Base, uma empresa que segundo o autarca albicastrense há muito que se queria instalar na cidade e que vem agora para a nova Zona industrial, onde irá criar cerca de 30 novos postos de trabalho.
O autarca diz mesmo que o emprego “é a nossa primeira prioridade”. No entanto, recorda que não compete à câmara municipal enquanto instituição pública, criar emprego. “Compete-nos e temo-lo feito com muita força, criar as condições necessárias para que os empresários o possam fazer. Todos os dias procuramos novas apostas”, sublinha Joaquim Morão.
No que diz respeito ao combate à desertificação do Interior e às assimetrias regionais, o presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco é objectivo: “O combate à desertificação não se faz pelos governos. Faz-se por iniciativa das pessoas e pela capacidade de intervenção daqueles que cá residem. A obrigação dos governos é apoiar as pessoas que têm essa capacidade. Entendo que não é ao governo que compete criar emprego. Mas, tal como a câmara municipal faz, também é aos governos que compete dar apoio a iniciativas que se apresentam e que muitas vezes carecem do apoio governamental para andar para a frente. Não é com dinheiro, mas sim com auxílios em desbloquear infra-estruturas, problemas de equipamentos que atrás de si trazem emprego, fundamental para estas regiões”, conclui o autarca albicastrense.
Em relação às portagens na A23, o autarca diz mesmo que é em situações como esta “que o governo podia intervir para facilitar a vida no Interior e o seu desenvolvimento e combate à desertificação”.
Joaquim Morão diz que todos sabemos que o País passa por enormes dificuldades, mas sublinha que sem portagens os produtos e serviços aqui produzidos teriam custos mais baixos.
“É essa ajuda que precisamos do Governo que crie condições para que a electricidade ou o gás tenham condições mais competitivas, dado que temos dificuldades de mão-de-obra, capacidade empresarial e de iniciativa. Ora, um motivo de atractividade passa pelo Governo dar condições mais competitivas para captar gente que possa fazer aqui investimentos. É evidente que as portagens vão limitar quem quer investir aqui na região”, sublinha o autarca.
Por último, Joaquim Morão diz ainda que o Governo pode ajudar neste tipo de situações, “coisa que não tem sido feita e até temos sido mais penalizados do que o Litoral”, refere.



